The death of my feelings.
Se eu sinto falta do amor?
Como posso sentir falta se ele nunca existiu? Nem sei que cara ele tem, nem sei que cheiro ele tem, nem sei que cor ele tem. Não sei nem se ele tem cor. Não existe morte para o que nunca nasceu.
E aquela história de que a felicidade é o caminho? De que quem acredita sempre alcança, e que para tudo tem seu tempo? Não sei qual a verdade. Só sei que minha verdade, a verdade mais pura da minha alma, é a constância de que ela grita. Grita por falta, por perda, por furto. Falta de tudo. Tudo aquilo que conquistamos diariamente, aquilo que buscamos a cada dia: nos vencer de nós mesmos e convencermos de que tudo está bem e a vida segue. Falta da minha coragem, garra e fé nas atitudes para comigo. Do meu jeito manso, minha sabedoria para vencer os obstáculos e aconselhar-me sempre. Falta das coisas simples que me fascinavam. Da saudade, da razão, paz e sossego espiritual. Minha alma grita. Ela grita enlouquecidamente pela perda daquele meu sorriso sincero que não me recordo mais qual foi a última vez que vi em meu rosto para poder contemplá-lo. Pela perda das minhas memórias felizes, pois as tristes insistem em me martirizar a todo e cada instante. Perda do meu lado racional, cujo qual equilibrava as coisas. Da minha capacidade de distinção, pois ultimamente não consigo discernir o que me faz bem ou mal. Perdi os meus princípios, aquilo que me mantinha viva, realizada. Eu perdi desde a inocência quando criança, até a sanidade de um ser humano comum. Talvez tenha me perdido de mim mesma quem sabe. Minha alma grita por furtos, esses cometidos pela vida, pelas pessoas, pela minha própria mente. Furtos estrategicamente elaborados pelo destino ou coincidentemente por aqueles que eu jamais desconfiei. Fui covardemente roubada. Vítima de um passado sombrio e vazio, que só me tirou tudo de mais precioso que tinha. E nesse conjunto, levou para uma grande ilha não registrada no mapa aquela menina tão doce e feliz, que fechava os olhos para o mundo, que tinha o seu próprio mundo e fazia dele a sua felicidade plena. Se a felicidade é o caminho, provavelmente no meu caso ela é mesmo um labirinto. Sim, pois só chego onde não quero, olho para os lados e não encontro uma saída confiável, um caminho confortável, reto, sem buracos. Sendo assim, como posso alcançar aquilo que almejo, se as circunstâncias me roubaram a esperança? É impossível acreditar naquilo que os seus olhos provam o contrário. E para tudo tem seu tempo, eu sei disso, mas não tenho mais forças para esperar. Pois, enquanto a minha alma grita, o meu silêncio me consome.